Como tem passado? Há tanto tempo não a vejo que me surpreendo quando me percebo esquecendo do seu sorriso, cada dia um pedacinho mais. Hoje ele me pareceu menor. Mas deve ser apenas impressão, porque ontem mesmo falei de você na mesa daquele bar para uns amigos e eles me disseram que a viram e que continua deslumbrante o seu sorriso. Disso eu ainda tenho certeza, que ele é deslumbrante. Recordo perfeitamente que ele começava discreto no cantinho esquerdo da boca como quem não quer nada, como um segredo, e então crescia e delicadamente coloria o seu rosto com cores que eu ainda não havia visto, cores que não existiam antes do seu sorriso. Tudo a volta sorria junto a ele, e eu sorria junto também. Hoje daria um mundo para vê-lo novamente, daria o universo para dividir um com você. Mas agora você está tão distante e me odeio por tê-la deixado partir. Você e seu sorriso.
Lembra daquele dia no parque? Eu estava caminhando pela grama e olhava o céu, completamente desorientado, zanzando e perdido. Então, de repente, você me apareceu e mudou aquele dia. Você sempre teve essa mania deliciosa de aparecer quando eu menos te esperava, me surpreendendo sempre e enchendo de sol aqueles dias nublados, de cor esses dias cinzentos e de vida a minha vida morta. E que sabor enebriante teve aquela sua conversa naquele parque. Era hipnotizador assistir à seus lábios se movimentando tão docemente. Era como se eles inventassem uma palavra nova toda vez que as ouvia, como se eu as tivesse ouvido pela primeira vez. Naquele dia todas as conversas invejaram os seus lábios gentis e desejaram serem ditas por eles. Mas agora é triste perceber que há tempos esses meus ouvidos não dividem uma dança com a sua doce voz. E com essa distância toda, me odeio por tê-la deixado partir. Você e seus lábios.
Você ainda usa aquele mesmo perfume? Espero que sim, porque aquele aroma está impregnado em minha memória. Ele se instalou em seu trono e reina minha imaginação desde o dia em que o senti pela primeira vez. Suave e marcante. Único. Perco o compasso da respiração e suspiro lentamente toda vez que me lembro da maneira gentil que seu perfume ganhava os ares e planava até mim. E era como se pedisse licença para que eu pudesse senti-lo e, com a permissão, gentilmente invadia meu fôlego, ocupando cada pequeno espaço e deixando minha respiração solta, levíssima. Jamais desejei respirar tanto o ar quanto aquele que você banhava com seu perfume delicado e perfeitamente delicioso. E agora não há mais lugar em que seu perfume passeie distraidamente e nem pessoa em quem seu aroma suavemente descanse desde quando você se foi. Me odeio por tê-la deixado partir. Você e seu perfume.
Mas há apenas uma pergunta da qual preciso ouvir a resposta, antes mesmo de todas as outras. Há apenas uma questão não respondida que me toma parte de mim todos os dias, quando me levanto pela manhã. Responda-me, quando você voltará? Como um pai que procura o filho, perdido na multidão por descuido, por um pequeno segundo que não recebeu a atenção merecida, a minha pergunta procura a resposta. E como este pai, me culpo pela falta, pelo espaço vazio. Eu a perdi em meio a multidão. Diga-me então quando você irá voltar e me perdoar por tê-la deixado partir, pois tudo o que preciso agora é do seu sorriso deslumbrante, iluminando tudo e a mim. Preciso da sua doce voz, dos seus lábios gentis. Preciso do seu perfume, respirar o seu ar. Preciso de você. Somente você.
Saudades,
Aquele Que A Deixou Partir.
PS: O inverno começa em breve. Não demore a voltar.
Você ainda usa aquele mesmo perfume? Espero que sim, porque aquele aroma está impregnado em minha memória. Ele se instalou em seu trono e reina minha imaginação desde o dia em que o senti pela primeira vez. Suave e marcante. Único. Perco o compasso da respiração e suspiro lentamente toda vez que me lembro da maneira gentil que seu perfume ganhava os ares e planava até mim. E era como se pedisse licença para que eu pudesse senti-lo e, com a permissão, gentilmente invadia meu fôlego, ocupando cada pequeno espaço e deixando minha respiração solta, levíssima. Jamais desejei respirar tanto o ar quanto aquele que você banhava com seu perfume delicado e perfeitamente delicioso. E agora não há mais lugar em que seu perfume passeie distraidamente e nem pessoa em quem seu aroma suavemente descanse desde quando você se foi. Me odeio por tê-la deixado partir. Você e seu perfume.
Mas há apenas uma pergunta da qual preciso ouvir a resposta, antes mesmo de todas as outras. Há apenas uma questão não respondida que me toma parte de mim todos os dias, quando me levanto pela manhã. Responda-me, quando você voltará? Como um pai que procura o filho, perdido na multidão por descuido, por um pequeno segundo que não recebeu a atenção merecida, a minha pergunta procura a resposta. E como este pai, me culpo pela falta, pelo espaço vazio. Eu a perdi em meio a multidão. Diga-me então quando você irá voltar e me perdoar por tê-la deixado partir, pois tudo o que preciso agora é do seu sorriso deslumbrante, iluminando tudo e a mim. Preciso da sua doce voz, dos seus lábios gentis. Preciso do seu perfume, respirar o seu ar. Preciso de você. Somente você.
Saudades,
Aquele Que A Deixou Partir.
PS: O inverno começa em breve. Não demore a voltar.
