Vinha caminhando pela rua, sua mãe logo atrás como que assistindo cada passo que dava. O Sol parecia mais quente, os passos mais conscientes e todo o resto era mais vibrante. De alguma maneira fazer aquilo parecia novo para ele: um pé, depois o outro, cuidado com as irregularidades da calçada, olhar para os lados, atravessar a rua. De alguma maneira ele era uma pessoa nova.
Descendo a ladeira, rapidamente reparou um louquinho que subia a rua, vindo na sua direção, cumprimentando compulsivamente cada pessoa em seu caminho. A essa medida o louco estava tão perto que seria impossível mudar o rumo, voltar para trás ou atravessar a rua. O louquinho se aproximava, apertando mãos alheias. Algumas correspondiam, outras nem tanto, outras o ignoravam. Um frio perpassou seu corpo, aquele louquinho com certeza o cumprimentaria, apertaria sua mão e repetiria o mesmo “cê tá bom?”. O frio transformou-se em medo e o louco estava a alguns passos de distância. Agora era impossível qualquer evasão, pois o louco estava logo a sua frente. O louco estendeu a mão, fixou o olhar, um olhar perdido e desvairado, e pronunciou as mesmas três palavras que havia repetido umas sete vezes pelo caminho. A respiração parou, suas mãos começaram a suar. Não sabia como reagir. O louquinho repetiu: “cê tá bom, bom, cê tá bom?”.